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Como reduzir gastos no restaurante sem cortar qualidade

Reduzir gastos no restaurante não começa cortando. Começa medindo. Quem sai cortando sem saber o que está fora do parâmetro corre o risco de eliminar o que não deveria e manter o que está sangrando.

O problema é que a maioria dos donos de restaurante só percebe que os custos estão altos quando o caixa dá o sinal: o mês fechou e o dinheiro não aparece. Nessa hora, qualquer corte parece válido. Mas corte sem diagnóstico é chute.

Este guia mostra como identificar onde o dinheiro está escorregando e o que fazer, com ação concreta, em cada ponto da operação.

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Quais são os maiores custos de um restaurante

Todo restaurante tem, basicamente, quatro grandes blocos de custo. Entender o que cada um representa é o ponto de partida para qualquer trabalho de redução de gastos.

  • CMV (Custo de Mercadoria Vendida): o custo dos insumos, ingredientes, embalagens e bebidas usados para produzir o que foi vendido. É o custo mais diretamente ligado à cozinha.
  • Folha de pessoal: salários, encargos, pró-labore, benefícios, provisão de 13º e férias. Costuma ser o segundo maior custo de um restaurante.
  • Custos de ocupação: aluguel, condomínio, IPTU, energia elétrica, água e gás. Parte desse bloco é inevitável, mas parte pode ser gerenciada.
  • Despesas operacionais diversas: contabilidade, marketing, manutenção, taxas de cartão, taxas de plataformas de delivery como iFood e 99Food, material de limpeza.

Cada um desses blocos tem um parâmetro de referência. Quando um deles ultrapassa o parâmetro, o DRE mostra onde o problema está. Sem o DRE, o dono sente que “os custos estão altos”, mas não sabe em qual bloco agir primeiro.

Como saber qual custo está fora de controle

Antes de qualquer dica prática, vale ter os parâmetros de referência na cabeça. Esses percentuais são calculados sobre o faturamento e servem como régua para avaliar a saúde de cada bloco de custo.

Bloco de custo Parâmetro de referência Base de cálculo
CMV 28% a 35% Receita bruta
Folha de pessoal 25% a 35% Faturamento
Aluguel Até 10% Faturamento
Energia, água e gás Até 5% Faturamento
Custos fixos totais Até 30% Faturamento

Para calcular o percentual de qualquer bloco, divida o valor gasto por ele pelo faturamento do período e multiplique por 100. Se o seu restaurante faturou R$ 60.000 no mês e gastou R$ 24.000 com insumos, o CMV ficou em 40%: acima da faixa saudável.

O DRE gerencial é o relatório que organiza esses blocos numa única tela e permite fazer essa comparação mês a mês. Quem fecha o DRE todo mês sabe, já no 5º dia útil do mês seguinte, exatamente qual bloco saiu do parâmetro e onde agir.

7 formas de reduzir gastos no restaurante

Com o diagnóstico em mãos, é hora de agir. As dicas abaixo cobrem os principais pontos de perda de margem num restaurante. Nem todas se aplicam a toda operação: use a tabela de parâmetros acima para decidir por onde começar.

1. Controle o CMV com fichas técnicas

CMV acima de 35% é sinal de que a cozinha está consumindo mais do que deveria. As causas mais comuns são porções maiores do que o planejado, ingredientes desperdiçados no preparo e compras sem critério de custo.

A ficha técnica resolve boa parte disso. Ela define a quantidade exata de cada ingrediente por prato, o rendimento esperado e o custo unitário. Com ela, todo cozinheiro segue o mesmo padrão, independente do turno. Sem ela, cada pessoa que entra na cozinha interpreta a receita do próprio jeito.

Cozinheiro com avental preto e óculos consultando papéis presos a uma prancheta na cozinha de um restaurante, revisando fichas de produção

Outro ponto é o cardápio. Pratos que vendem pouco e usam ingredientes exclusivos puxam o CMV para cima porque o ingrediente é comprado em quantidade pequena, fica no estoque, perde validade e vira descarte. Revisar o cardápio para concentrar os insumos em mais pratos reduz desperdício e aumenta o poder de compra junto ao fornecedor.

Falando em fornecedor: negociar condições de pagamento, volumes mínimos e sazonalidade de preço faz diferença. Ingredientes com alta variação de preço ao longo do ano, como proteínas e hortaliças, podem ser planejados com base nas épocas de menor custo.

O módulo de gestão de estoque do ControleNaMão registra automaticamente a entrada e saída de insumos a cada venda, calcula o CMV do período e permite acompanhar o custo por produto. Isso elimina o trabalho manual de cruzar nota fiscal com planilha.

2. Meça o desperdício antes de tentar reduzi-lo

Desperdício de alimentos é uma das fontes de perda mais subestimadas em restaurante. O problema é que ele não aparece na nota fiscal nem no extrato bancário: ele some na forma de ingrediente que estragou, porção que sobrou e foi descartada, ou produto comprado em excesso.

Uma referência técnica útil: sobras acima de 10% do total produzido já entram na faixa considerada ruim. Sobras entre 5% e 10% são aceitáveis. Abaixo de 5% é o parâmetro ótimo.

Para medir, a prática mais simples é pesar e registrar o que sobrou ao final de cada turno. Esse número, comparado com o total produzido, dá o índice de desperdício. Restaurante que começa a medir quase sempre se surpreende com o resultado.

As causas de desperdício não se limitam ao que o cliente deixa no prato. Uma pesquisa da Ticket com 175 restaurantes mostrou que o desperdício ocorre em várias etapas da produção, incluindo o preparo e o armazenamento, muitas vezes por compra em excesso ou por falha no controle de validade.

Dois hábitos que reduzem o desperdício de forma consistente: o método PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair) no armazenamento, que evita que produtos novos sejam usados antes dos mais antigos; e a previsão de demanda, que cruza o histórico de vendas com eventos do período para estimar o quanto produzir.

3. Reduza a folha sem precisar demitir

Demitir parece a saída mais rápida quando a folha está pesada, mas raramente é a mais inteligente. O custo de uma demissão (aviso prévio, FGTS, multa rescisória) pode consumir o equivalente a três ou quatro meses do salário do funcionário. Quem demite com frequência paga caro por isso.

Quatro funcionários de restaurante sorrindo na entrada do estabelecimento, três deles com avental preto, segurando xícaras em ambiente com iluminação quente ao fundo

Antes de chegar a esse ponto, há três ajustes que costumam resolver:

  • Banco de horas. Horas extras custam 50% a mais por hora trabalhada. Um banco de horas bem controlado compensa o trabalho extra com folga, sem custo adicional na folha. Para funcionar, precisa ser acordado formalmente com o funcionário e monitorado de perto.
  • Escalação por turno. Manter a mesma quantidade de pessoas em horário de pico e horário vazio é desperdício de folha. Analisar os horários de maior e menor movimento e ajustar a escala reduz o custo sem reduzir a qualidade do atendimento.
  • Controle de horas extras. Em muitos restaurantes, as horas extras viram hábito sem necessidade real. Monitorar o ponto e questionar toda hora extra antes de autorizá-la já costuma reduzir esse custo de forma significativa.

A folha de pessoal deve ficar entre 25% e 35% do faturamento. Acima disso, vale revisar a escala antes de pensar em qualquer outra medida.

4. Renegocie aluguel e contratos de serviço

Aluguel acima de 10% do faturamento é um sinal de atenção. Em alguns casos, o contrato foi assinado num momento em que o faturamento esperado era maior do que o atual, e o peso do aluguel cresceu proporcionalmente.

Renegociar não é garantido, mas é mais comum do que parece: o proprietário prefere manter um inquilino pagando menos do que ter um imóvel vago. O argumento mais forte na negociação é o histórico de pagamento em dia.

Outros contratos que valem revisão: serviços de limpeza, segurança, manutenção de equipamentos, sistemas de gestão e assinaturas que foram contratadas e nunca mais avaliadas. A pergunta é simples: esse contrato está gerando retorno proporcional ao que custa?

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5. Economize em energia, água e gás

Energia elétrica, água e gás são custos que parecem pequenos individualmente, mas somados podem representar 4% a 6% do faturamento. E ao contrário do aluguel, esses custos respondem bem a ações simples.

Em iluminação, a troca de lâmpadas convencionais por LED reduz o consumo de energia em até 80% nesse ponto. Sensores de presença em áreas como banheiros e despensas evitam que a luz fique acesa sem necessidade.

Em água, o Sebrae documenta que instalar arejadores em torneiras de lavagem reduz o fluxo em cerca de 60%, e que acumular louças numa bacia antes de lavar pode economizar volume significativo por turno. Torneiras de baixa vazão em banheiros também contribuem.

Em equipamentos, manter os aparelhos limpos e com manutenção em dia (filtros de exaustor, borrachas de freezer, resistências de forno) reduz o consumo e evita quebras que custam muito mais do que a manutenção preventiva.

6. Revise o cardápio com olho no custo

Nem todo prato que vende bem é lucrativo. E nem todo prato caro de produzir precisa ser eliminado. O que importa é entender a margem de contribuição de cada item: quanto ele gera de receita menos o custo direto de produção.

Cozinheiro com luvas descartáveis e jaleco branco mexendo em wok sobre chama alta em fogão industrial, com fumaça subindo e outro profissional ao fundo

Pratos com CMV alto e volume de venda baixo são candidatos naturais a reformulação ou retirada. Pratos com CMV saudável e boa saída são a base do cardápio.

Uma revisão de cardápio bem feita também identifica ingredientes que aparecem em muitos pratos: concentrar os insumos reduz a quantidade de itens em estoque, diminui o risco de validade vencida e aumenta o giro dos produtos que são comprados.

Se o restaurante opera no delivery, vale verificar se os pratos com embalagem mais cara estão com o preço ajustado para cobrir esse custo. Embalagem é CMV e precisa entrar na ficha técnica.

7. Use tecnologia para fechar as brechas que o olho não vê

Grande parte das perdas em restaurante acontece em pontos que ninguém está olhando: o insumo que sai da cozinha sem ser registrado, a sangria que não foi lançada no sistema, o prato entregue sem cobrança, o desconto dado sem autorização.

Um sistema de gestão integrado fecha essas brechas. Quando o PDV, o estoque e o financeiro estão conectados, toda venda registrada automaticamente desconta os insumos do estoque e registra a receita no financeiro. O que não bate chama atenção.

Gestora sorrindo segurando tablet com a interface do ControleNaMão aberta, exibindo comandas ativas com pedidos, mesas e status em tempo real

O ControleNaMão funciona exatamente assim: PDV integrado ao estoque, com cálculo automático de CMV, DRE gerencial gerado sem trabalho manual e relatórios que mostram o desempenho por período, por produto e, para quem tem mais de uma unidade, por loja. Quem usa o sistema sabe, no fechamento do mês, exatamente onde a margem foi para cima ou para baixo.

Para redes e franquias, a visão consolidada por unidade permite comparar desempenho entre lojas e identificar qual está com CMV ou folha fora do parâmetro antes que o problema se agrave.

O ControleNaMão é um sistema de gestão completo para restaurantes, bares, lanchonetes e todo o food service: PDV com controle de caixa, financeiro com DRE gerencial automático, controle de estoque com cálculo de CMV, emissor fiscal, integração com iFood e 99Food, e muito mais. 100% online, sem instalação, com suporte humano em até 15 minutos. Mais de 5.000 estabelecimentos em todo o Brasil já usam. Chame a gente no WhatsApp →

Perguntas frequentes sobre redução de gastos em restaurantes

Qual o primeiro passo para reduzir gastos no restaurante?

O primeiro passo é medir, não cortar. Calcule o percentual que cada bloco de custo representa sobre o faturamento (CMV, folha, aluguel, energia) e compare com os parâmetros de referência do mercado. Só depois de saber qual bloco está fora do parâmetro faz sentido definir onde agir. Quem corta sem medir corre o risco de eliminar o que está funcionando e manter o que está sangrando.

Qual o CMV ideal para restaurante?

No food service, o parâmetro de referência para o CMV (Custo de Mercadoria Vendida) é entre 28% e 35% da receita bruta. Abaixo de 28% pode indicar redução de qualidade nos insumos. Acima de 35%, a operação está comprometendo margem e precisa de revisão de fichas técnicas, controle de desperdício ou renegociação com fornecedores.

Como reduzir custos sem demitir funcionários?

As principais alternativas antes de demitir são: criar um banco de horas para compensar horas extras com folga, ajustar a escalação por turno conforme o volume de movimento em cada horário, e monitorar e controlar o registro de horas extras. A demissão gera custos rescisórios altos e muitas vezes é mais cara do que as medidas alternativas.

Quanto o aluguel pode representar no faturamento do restaurante?

O parâmetro de referência é de até 10% do faturamento mensal. Acima disso, o custo de ocupação começa a comprimir a margem operacional. Se o aluguel está acima desse patamar, vale avaliar uma renegociação com o proprietário ou, em casos mais graves, uma mudança de ponto.

Como o controle de estoque ajuda a reduzir gastos?

O controle de estoque evita três fontes de perda: compra em excesso (que leva ao vencimento e descarte), compra em falta (que força compra de emergência a preço mais alto) e saída de insumos sem registro (que distorce o CMV e esconde perdas). Um sistema integrado que conecta estoque ao PDV registra automaticamente a saída de cada insumo a cada venda, o que mantém o inventário atualizado sem trabalho manual.