Muito dono de restaurante entra no iFood, olha o que os concorrentes vendem e monta o cardápio em cima do que todo mundo oferece. Marmita, hambúrguer, açaí. Os pedidos aparecem. O lucro, não.
O problema não está na plataforma. Está em escolher o que vender pela popularidade, sem calcular quanto sobra de cada pedido depois de pagar a comissão, a embalagem e o custo dos ingredientes. Um prato que vende 200 vezes por mês e deixa R$ 0,80 por pedido é pior negócio do que um prato que vende 60 vezes e deixa R$ 8.
Neste guia você vai aprender a escolher os produtos certos para o delivery, calcular a margem real de cada prato e montar um cardápio de iFood que dê resultado de verdade.
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O que mais vende no iFood em 2026
As categorias com maior volume de pedidos no Brasil são marmita, hambúrguer, pizza, açaí, comida japonesa e sobremesas. Marmitas lideram com folga: só em São Paulo foram 19 milhões de unidades vendidas em 2024, e o crescimento continua. Hambúrgueres vêm logo atrás, puxados pelo smash burger e pelos combos com batata. Pizza domina o horário noturno e os fins de semana, enquanto açaí e sobremesas ocupam o espaço da tarde e do pós-jantar.
| Categoria | Horário de pico | Perfil do cliente |
|---|---|---|
| Marmita / prato do dia | Almoço (11h-14h) | Trabalhadores, dia a dia |
| Hambúrguer | Jantar (18h-22h) | Jovens, casual |
| Pizza | Noite e fins de semana | Famílias, grupos |
| Açaí e sobremesas | Tarde (14h-17h) e pós-jantar | Todos os perfis |
| Comida japonesa | Jantar (18h-22h) | Ticket médio alto |
| Pratos saudáveis / fitness | Almoço (11h-14h) | Público fitness, nicho em crescimento |
Esses dados mostram onde está a demanda. O que eles não mostram é a margem de lucro. E é justamente aí que a maioria dos donos de restaurante erra.
Por que o que mais vende nem sempre é o que mais dá lucro
A comissão do iFood varia de 12% a 23% sobre o valor de cada pedido, dependendo do plano contratado. Some a taxa de pagamento online (3,2%), o custo da embalagem (de R$ 1,50 a R$ 4,50 por pedido) e o custo dos ingredientes. O que sobra é a margem real. Quase sempre ela é bem menor do que o dono imagina.
Veja um exemplo com uma marmita de frango grelhado vendida a R$ 25 no iFood, no plano Entrega (comissão de 23%):
| Item | Valor |
|---|---|
| Preço de venda no iFood | R$ 25,00 |
| (-) Comissão iFood (23%) | R$ 5,75 |
| (-) Taxa pagamento online (3,2%) | R$ 0,80 |
| (-) Custo dos ingredientes (CMV 30%) | R$ 7,50 |
| (-) Embalagem | R$ 2,00 |
| = Margem por pedido | R$ 8,95 |
R$ 8,95 de margem parece razoável. Mas se esse mesmo dono vendesse a marmita a R$ 22, o mesmo preço do salão, a margem cairia para R$ 5,95. E se o CMV estivesse em 35% em vez de 30%, sobraria R$ 6,20. Variações pequenas no custo ou no preço mudam o resultado do mês inteiro.
O ponto é simples: a margem do delivery precisa ser calculada prato a prato. O CMV que funciona no salão pode não funcionar no iFood, porque a comissão da plataforma é um custo que não existe na venda presencial. Quem controla o CMV de cada prato com um sistema como o ControleNaMão consegue ver isso em tempo real, sem montar planilha.
Como escolher o que vender no iFood
A decisão depende de quatro critérios que precisam ser avaliados juntos: o que a sua cozinha já faz bem, o que a sua região pede, o que dá margem depois das taxas e o que chega intacto na casa do cliente.

1) O que a sua cozinha já sabe fazer
Antes de copiar o cardápio do concorrente, olhe para dentro. Quais equipamentos você tem? Quantas pessoas trabalham na cozinha? Quanto tempo cada prato leva para ficar pronto?
Se a sua cozinha tem chapa e fritadeira, hambúrguer faz sentido. Se tem forno a gás potente, pizza pode funcionar. Se tem fogão industrial e equipe que já monta prato executivo, marmita é o caminho natural. Forçar um cardápio que a cozinha não comporta gera atraso, erro e avaliação ruim no app.
Comece pelo que você já faz bem. Depois, se sobrar capacidade, teste novas categorias com dois ou três itens antes de investir em equipamento novo.
2) O que a sua região pede
O ranking nacional não reflete o que vende na sua cidade. Uma lanchonete no centro de Curitiba tem demanda diferente de um restaurante em bairro residencial de Recife.
O Portal do Parceiro do iFood mostra quais categorias têm mais pedidos na sua área de entrega. Se há dez hamburguerias e nenhuma marmitaria no raio de 5 km, a marmita pode ser a oportunidade. Se o bairro é residencial e o pico é no almoço, prato do dia vende mais do que açaí. Outra forma rápida: abra o app do iFood como cliente e veja quais restaurantes têm mais avaliações e quais categorias aparecem primeiro na sua região.
3) O que dá margem depois das taxas
Faça a conta de cada prato antes de colocar no cardápio. Some o custo dos ingredientes, a embalagem e a comissão do iFood. Se a margem for menor do que 15% do preço de venda, o prato não se justifica no delivery.
Exemplo rápido: se o prato custa R$ 10 para produzir e a comissão total (incluindo taxa de pagamento) é de 26%, o preço mínimo de venda seria R$ 10 ÷ (1 – 0,26) = R$ 13,51. Isso sem contar nenhuma margem de lucro. Para ter 20% de lucro sobre o preço, o valor precisa subir para pelo menos R$ 16,90.
4) O que viaja bem
No delivery, o prato precisa chegar com boa aparência e sabor 20 ou 30 minutos depois de sair da cozinha. Fritura crocante amolece, massa al dente empapa, salada com molho murcha. Marmitas bem fechadas, pizzas em caixa térmica e bowls montados em camadas resistem melhor ao transporte.
Se o prato não aguenta o trajeto, o cliente reclama, a avaliação cai e os pedidos diminuem. Pense no transporte antes de incluir qualquer item.
📊 No ControleNaMão, cada venda do iFood entra automaticamente no sistema. O estoque baixa, o CMV atualiza e os relatórios mostram quanto cada prato está dando de margem. Conheça o módulo de delivery →
Categorias com boa margem para delivery
| Categoria | Investimento inicial | Complexidade | Margem típica |
|---|---|---|---|
| Marmita / prato do dia | Baixo | Baixa a média | 25% a 35% |
| Hambúrguer artesanal | Médio | Média | 20% a 30% |
| Pizza | Médio a alto | Média | 25% a 35% |
| Açaí e sobremesas | Baixo a médio | Baixa | 30% a 45% |
| Comida japonesa | Alto | Alta | 25% a 35% |
| Pratos saudáveis / fitness | Médio | Média | 25% a 35% |
- Marmita é a categoria mais acessível para começar: investimento baixo, operação simples e demanda constante no horário de almoço. O risco é a concorrência, que é enorme. Para se diferenciar, aposte em porções bem montadas, proteínas variadas por dia da semana e embalagens que mantenham a temperatura.
- Hambúrguer tem boa margem quando o CMV é controlado. Comprar carne moída pronta custa mais por quilo do que comprar peças e moer na cozinha. Combos com batata e bebida aumentam o ticket médio sem aumentar tanto o custo fixo por pedido. Se o restaurante já tem chapa, o investimento adicional é baixo.
- Açaí e sobremesas têm a melhor margem percentual da lista, mas o ticket médio costuma ser menor. Funciona bem como complemento do cardápio principal ou como operação dedicada nos horários de menor movimento, como a tarde e o pós-jantar.
- Pizza exige forno adequado e equipe treinada, mas o formato meio a meio e os combos familiares facilitam o aumento do ticket. No delivery noturno e nos fins de semana, a pizza é uma das categorias com menor concorrência relativa ao volume de demanda em muitas cidades.
Para saber quais dos seus pratos estão realmente dando margem, o caminho mais direto é consultar os relatórios de venda por produto. No ControleNaMão, esses relatórios cruzam o volume de vendas com o CMV de cada prato, separando os resultados por canal: salão, delivery, balcão. Assim você enxerga se o iFood está contribuindo para o lucro ou apenas gerando volume sem retorno.
Como precificar o cardápio do iFood sem perder dinheiro
O preço do delivery precisa ser diferente do preço do salão. No salão, não existe comissão de plataforma nem custo de embalagem para cada pedido. No iFood, esses custos somam de 15% a 27% do valor do pedido, dependendo do plano. Cobrar o mesmo preço nos dois canais é entregar parte do seu lucro para a plataforma.
A recomendação prática: aplique um markup de 15% a 30% sobre o preço do salão para montar o cardápio do iFood. O cliente do app não compara o preço com o balcão do seu restaurante. Ele compara com outros restaurantes no mesmo app.

Atenção ao cálculo, porque aqui muita gente erra. A comissão do iFood incide sobre o preço final de venda, não sobre o custo. Para embutir uma taxa de 26% no preço, não basta somar 26% ao valor que você quer receber. A fórmula correta é:
Preço no iFood = valor líquido desejado ÷ (1 – taxa total)
Se você quer receber R$ 20 limpos por prato, o preço no iFood precisa ser R$ 27,03 (R$ 20 ÷ 0,74). Se você simplesmente somar 26% sobre R$ 20, o preço fica R$ 25,20, e o iFood vai descontar R$ 6,55 em vez dos R$ 5,20 que você esperava. Parece pouco, mas em 300 pedidos por mês essa diferença soma quase R$ 550 a menos no caixa.
Cardápio enxuto ou cardápio grande: quantos itens ter no iFood
Para delivery, um cardápio com 15 a 25 itens funciona melhor do que um com 50. Menos itens significa menos ingredientes no estoque, menos desperdício, preparo mais rápido e menos chance de erro. A cozinha trabalha com mais ritmo e a qualidade fica mais consistente.
A engenharia de cardápio ajuda a decidir o que fica e o que sai. Classifique seus pratos cruzando duas informações: quantas vezes cada um é pedido (popularidade) e quanto de margem cada um deixa (rentabilidade). O resultado distribui os pratos em quatro grupos:
- Estrela: vende muito e dá boa margem. Destaque no cardápio, posição de topo.
- Burro de carga: vende muito, mas a margem é baixa. Revise o preço ou reduza o custo dos ingredientes.
- Quebra-cabeça: margem alta, mas vende pouco. Melhore a foto, a descrição ou a posição no cardápio.
- Cachorro: não vende e não dá margem. Tire do cardápio.
No ControleNaMão, o CNM Analytics mostra o volume de vendas e o CMV real de cada produto. Com esses números na mão, a classificação sai direto dos relatórios do sistema, sem precisar montar planilha.
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Perguntas frequentes sobre o que vender no iFood
O que vender no iFood para ter lucro?
Produtos com CMV controlado (abaixo de 30% do preço de venda), embalagem barata e que aguentem o transporte sem perder qualidade. Marmitas, hambúrgueres e pizzas são as categorias com melhor equilíbrio entre demanda e margem, desde que o preço no app seja calculado com a comissão embutida. Evite copiar o cardápio do concorrente sem fazer a conta: o que dá lucro para ele pode não dar para você, dependendo do CMV do seu restaurante e do plano contratado no iFood.
Como saber o que mais vende na minha região no iFood?
O Portal do Parceiro do iFood oferece relatórios que mostram categorias populares, horários de pico e produtos mais pedidos na sua área de entrega. Outra forma rápida é abrir o app como cliente e observar quais restaurantes têm mais avaliações e quais categorias aparecem com mais frequência. Esses dois caminhos juntos dão uma visão clara da demanda local.
O preço no iFood deve ser igual ao do salão?
Não. No delivery existe comissão (12% a 23%), taxa de pagamento online (3,2%) e custo de embalagem por pedido. Se o preço for igual ao do salão, a margem do delivery será menor. A recomendação é aplicar um markup de 15% a 30% sobre o preço do salão para compensar esses custos. O cliente do iFood compara seu preço com outros restaurantes no app, não com o balcão do seu estabelecimento.
Quantos itens o cardápio do iFood deve ter?
Um cardápio de delivery eficiente tem entre 15 e 25 itens. Cardápios grandes demais aumentam o estoque necessário, geram mais desperdício e tornam a operação da cozinha mais lenta. Foque nos pratos que vendem bem e dão margem (os “estrelas” da engenharia de cardápio) e retire os que não vendem nem dão lucro.
Dá para começar a vender no iFood com pouco investimento?
Sim. Marmitas, macarrão na chapa e sobremesas em pote (brigadeiro gourmet, bolo de pote) são categorias que exigem pouco equipamento e têm custo de produção baixo. O investimento inicial pode ficar abaixo de R$ 2.000 se a cozinha já tiver fogão e geladeira. O mais importante é fazer a conta da margem antes de começar: se o preço de venda não cobrir custo + comissão + embalagem com pelo menos 15% de sobra, o produto não se paga.








