Um garçom que trabalha das 22h às 5h fica sete horas no salão. Para a lei, ele trabalhou oito. O dono que paga adicional sobre sete horas está devendo uma hora por noite, todas as noites, e essa diferença costuma aparecer só quando o funcionário sai e procura um advogado.
O percentual quase todo dono de bar conhece: 20%. Os erros que viram processo trabalhista moram em outros lugares. Na hora noturna reduzida, na conta da hora extra feita de madrugada, na escala 12×36 e na convenção coletiva da sua região, que pode exigir o dobro do que a CLT pede.
Cada regra abaixo vem com a conta feita em reais.
O que é adicional noturno

Adicional noturno é o acréscimo de, no mínimo, 20% sobre o valor da hora normal, pago ao empregado que trabalha entre 22h e 5h. A regra vale para o trabalhador urbano, o que inclui bares, restaurantes, pizzarias, lanchonetes e padarias, e está no artigo 73 da CLT e no artigo 7º da Constituição.
Os 20% são o piso. A convenção coletiva da categoria pode fixar um valor maior, e em várias regiões do país ela fixa.
Quando o trabalho noturno é habitual, o adicional passa a integrar o salário para todos os efeitos, segundo a Súmula 60 do TST. Na prática, ele entra no cálculo de férias, 13º, FGTS e rescisão. Se o funcionário for transferido para o turno do dia, o adicional pode ser retirado, conforme a Súmula 265 do TST.
Quem tem direito ao adicional noturno no bar e no restaurante
Tem direito ao adicional noturno todo empregado com carteira assinada que trabalha entre 22h e 5h, seja qual for a função. Garçom, cozinheiro, auxiliar de cozinha, barman, caixa, cumim, segurança e motoboy contratado pela CLT entram na regra.
O contrato intermitente também gera o direito. O funcionário chamado só para sextas e sábados recebe o adicional sobre as horas noturnas de cada convocação, junto com o pagamento daquele período.
Fica de fora o prestador de serviço contratado como PJ ou MEI, que não tem vínculo de emprego. Cuidado com o freelancer que trabalha toda semana, no mesmo horário, recebendo ordens do gerente. Essa rotina costuma caracterizar vínculo na Justiça do Trabalho, e aí o adicional volta a ser devido, com os valores atrasados.
Menores de 18 anos não podem trabalhar entre 22h e 5h. A proibição está na Constituição e não admite acordo. Se o seu bar tem jovem aprendiz, o turno dele termina antes das 22h.
Hora noturna reduzida: por que 7 horas no relógio valem 8
A hora noturna reduzida é a regra que conta cada 52 minutos e 30 segundos trabalhados entre 22h e 5h como uma hora inteira. Ela está no parágrafo 1º do artigo 73 da CLT e vale junto com o adicional de 20%, nunca no lugar dele.
O efeito aparece rápido na conta. Das 22h às 5h passam 420 minutos no relógio. Divididos por 52,5, dão exatamente 8 horas noturnas. Um turno que ocupa a madrugada inteira cumpre, para a lei, uma jornada de 8 horas.
Isso muda duas coisas na folha. O adicional é pago sobre 8 horas, e não sobre 7. E o funcionário contratado para 8 horas por dia já completou a jornada às 5h, então qualquer minuto depois disso é hora extra.
| Tempo no relógio (entre 22h e 5h) | Conta | Horas noturnas |
|---|---|---|
| 1 hora (22h às 23h) | 60 ÷ 52,5 | 1,14 |
| 3 horas (22h à 1h) | 180 ÷ 52,5 | 3,43 |
| 4 horas (22h às 2h) | 240 ÷ 52,5 | 4,57 |
| 5 horas (22h às 3h) | 300 ÷ 52,5 | 5,71 |
| 7 horas (22h às 5h) | 420 ÷ 52,5 | 8,00 |
Como calcular o adicional noturno passo a passo
Para calcular o adicional noturno, descubra o valor da hora normal, aplique 20% (ou o percentual da sua convenção coletiva) e multiplique pelas horas noturnas já convertidas pela hora reduzida.
Suponha um garçom com salário de R$ 2.200 e jornada de 220 horas por mês, que trabalha das 22h às 5h.
- Valor da hora normal: R$ 2.200 ÷ 220 = R$ 10.
- Adicional por hora: R$ 10 × 20% = R$ 2. A hora noturna vale R$ 12.
- Horas noturnas do turno: 420 minutos ÷ 52,5 = 8 horas.
- Adicional da noite: 8 × R$ 2 = R$ 16.
- Adicional do mês: em 22 noites trabalhadas, 22 × R$ 16 = R$ 352.
Quem esquece a hora reduzida calcula 7 × R$ 2 = R$ 14 por noite. A diferença é de R$ 2 por noite e R$ 44 por mês, por funcionário. Parece pouco. Como o trabalhador pode cobrar até cinco anos para trás, a conta chega a R$ 2.640 por pessoa, antes de juros, correção e reflexos em férias, 13º e FGTS.
Jornada mista: quem entra à tarde e sai de madrugada
Na jornada mista, o adicional noturno incide só sobre a parte do turno que cai entre 22h e 5h, com a hora reduzida aplicada a essa parte. É o caso mais comum em bar: o funcionário entra no fim da tarde e fecha a casa de madrugada.
Pegue o mesmo garçom de R$ 10 a hora, agora trabalhando das 17h à 1h, com uma hora de intervalo às 20h. Das 22h à 1h passam 180 minutos, que viram 3,43 horas noturnas. O adicional da noite fica em 3,43 × R$ 2 = R$ 6,86. Em 22 noites, cerca de R$ 151 no mês.
Depois das 5h: quando o adicional continua
Se o funcionário cumpriu a madrugada inteira e continua trabalhando depois das 5h, as horas seguintes também recebem adicional noturno. É a chamada prorrogação do trabalho noturno, prevista na Súmula 60 do TST e no parágrafo 5º do artigo 73 da CLT.
O cozinheiro que entra às 22h para adiantar a produção e sai às 7h recebe adicional das 22h às 7h, e não só até as 5h. O desgaste da madrugada não termina quando o relógio marca 5h, e a lei trata o fim do turno como continuação dela.
Em jornadas que começam depois das 22h, a aplicação da prorrogação varia conforme o caso, e vale confirmar com o contador. A exceção clara é a escala 12×36, que tem regra própria desde a Reforma Trabalhista.
Hora extra noturna: a conta que mais dá erro
A hora extra noturna é calculada aplicando o adicional de hora extra sobre a hora que já inclui o adicional noturno. Primeiro você chega ao valor da hora noturna e só depois acrescenta os 50% (ou o percentual da convenção). O TST firmou esse entendimento na Orientação Jurisprudencial 97 e o reafirmou como tese obrigatória no Tema 288.
O erro comum é somar os percentuais: 50% + 20% = 70% sobre a hora normal. A conta certa multiplica: 1,2 × 1,5 = 1,8. São 80% a mais sobre a hora normal.
| Método | Conta | Hora extra noturna |
|---|---|---|
| Somando os percentuais (errado) | R$ 10 × 1,7 | R$ 17,00 |
| Hora noturna + hora extra (certo) | R$ 12 × 1,5 | R$ 18,00 |
Com salário de R$ 2.200, a diferença é de R$ 1 por hora extra noturna. Uma equipe de seis pessoas que faz 20 horas extras noturnas por mês, cada uma, deixa de pagar R$ 120 por mês. A diferença cresce quando a convenção fixa hora extra de 60% ou 70%, percentuais que aparecem em várias CCTs do setor.
O cálculo das horas extras diurnas, de domingo e de feriado está no nosso guia de hora extra para bares e restaurantes.
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Adicional noturno na escala 12×36
Na escala 12×36, o funcionário recebe adicional noturno e hora reduzida sobre as horas trabalhadas entre 22h e 5h. As horas depois das 5h, desde a Reforma Trabalhista de novembro de 2017, são consideradas compensadas pela própria escala e não geram adicional, conforme o parágrafo único do artigo 59-A da CLT.
Um cozinheiro de produção que trabalha das 19h às 7h cumpre 8 horas noturnas com adicional de 20% entre 22h e 5h. Das 5h às 7h, a hora é paga como diurna comum.
Antes da Reforma, o TST mandava pagar o adicional também depois das 5h nessa escala (Orientação Jurisprudencial 388). Para o trabalho feito até 10 de novembro de 2017, a regra antiga continua valendo. A partir de 11 de novembro de 2017, as decisões recentes aplicam a regra nova.
A convenção coletiva pode ser mais generosa que a lei. Uma CCT do setor em Mato Grosso, por exemplo, garante no mínimo uma hora extra por dia a quem cumpre 12×36 no período noturno. Antes de montar a escala, leia a cláusula de jornada da convenção que vale para a sua equipe.
A convenção coletiva pode mudar o percentual do adicional noturno
A convenção coletiva de trabalho (CCT), o acordo assinado entre o sindicato dos empregados e o sindicato patronal de cada região, pode fixar adicional noturno acima de 20%. Abaixo, nunca. Em bares e restaurantes, percentuais maiores são comuns.
| Região | Instrumento | Adicional noturno |
|---|---|---|
| Todo o Brasil | CLT, mínimo legal | 20% |
| Campos Gerais (PR) | CCT de hotelaria e gastronomia 2025/2026 | 25% |
| Rio Grande do Norte | CCT dos trabalhadores em bares 2025/2027 (20% depois das 5h) | 25% |
| Lavras e região (MG) | CCT de hotéis, bares e restaurantes 2026 | 27% |
| Curvelo e região (MG) | CCT de hotéis, bares e restaurantes 2026 | 40% |
O mesmo garçom de R$ 10 a hora recebe R$ 2 de adicional por hora noturna pela CLT e R$ 4 numa convenção de 40%. Numa madrugada inteira (8 horas noturnas), são R$ 16 contra R$ 32.
A regra prática: descubra qual sindicato representa seus funcionários e leia a CCT vigente antes de calcular qualquer adicional. As convenções registradas ficam públicas no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho, e o seu contador sabe qual se aplica ao seu CNPJ. As cláusulas de adicional noturno, hora extra, taxa de serviço e 12×36 são as que mais pesam na folha de um bar.
Gorjeta e taxa de serviço entram no cálculo do adicional noturno?
Não. Pela Súmula 354 do TST, a gorjeta e a taxa de serviço fazem parte da remuneração do empregado, mas não servem de base para o adicional noturno, as horas extras, o descanso semanal remunerado e o aviso prévio.
Um garçom com salário de R$ 2.000 que recebe, em média, R$ 1.500 por mês de taxa de serviço tem o adicional noturno calculado só sobre os R$ 2.000. A hora normal para essa conta é R$ 2.000 ÷ 220 = R$ 9,09, e o adicional fica em R$ 1,82 por hora noturna.
A gorjeta continua contando para FGTS, INSS, férias e 13º, pela média do período. Por isso o valor repassado a cada garçom precisa ficar registrado mês a mês. No ControleNaMão, a gestão de mesas gera o relatório de comissionamento da taxa de serviço por garçom, pronto para enviar ao contador.
Onde o adicional noturno aparece de novo na folha
O adicional noturno pago com habitualidade reflete em todas as verbas calculadas sobre o salário: descanso semanal remunerado, férias com um terço, 13º, FGTS, INSS, aviso prévio e rescisão. É a regra da Súmula 60 do TST.
O reflexo usa a média. Some o adicional recebido nos meses do período e divida pelo número de meses. Um funcionário do turno das 22h às 5h, com salário de R$ 2.200 e 22 noites por mês, recebe R$ 352 de adicional mensal. Esse valor entra inteiro na base do 13º. Nas férias, com o terço constitucional, o reflexo sobe para cerca de R$ 469. No FGTS, são mais R$ 28,16 depositados por mês.
Esquecer os reflexos é o erro que mais cresce com o tempo. Numa reclamação trabalhista, cada mês sem reflexo vira diferença em várias verbas ao mesmo tempo.
Quanto custa manter o bar aberto depois das 22h
Uma hora de relógio trabalhada depois das 22h custa cerca de 37% a mais do que uma hora diurna, somando a hora reduzida (60 minutos valem 1,14 hora noturna) e o adicional de 20%. Se essa hora for extra, ela custa pouco mais que o dobro de uma hora normal.
Suponha um bar em que quatro funcionários com hora normal de R$ 10 ficam até as 2h fazendo hora extra para fechar a casa. A última hora custa 4 × 1,14 × R$ 18, cerca de R$ 82 por noite, antes de encargos. Em 26 noites, são perto de R$ 2.140 no mês.
Agora compare com o que essa hora vende. Se o bar fatura R$ 250 entre 1h e 2h e o CMV (Custo de Mercadoria Vendida, o gasto com os insumos do que foi vendido) está em 30%, sobram R$ 175 para cobrir a equipe. A hora se paga. Se o faturamento cai para R$ 100, sobram R$ 70, menos que os R$ 82 da equipe, e isso antes de energia, encargos e impostos.
Acompanhe o faturamento das últimas horas por quatro semanas seguidas. Se a margem da hora final não cobre o custo da equipe na maioria das noites, teste fechar uma hora mais cedo nos dias fracos e mantenha o horário estendido só nas noites em que ele se paga.
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Como o ControleNaMão ajuda a controlar o custo do turno da noite

O ControleNaMão mostra quanto o turno da noite vende e quanto a folha pesa no resultado, que são os números que o dono precisa para decidir horário, escala e preço. O cálculo do adicional em si continua com o sistema de folha e o contador.
O PDV registra cada venda no momento em que ela acontece. Esses dados alimentam o CNM Analytics, onde você compara o faturamento por período, por dia da semana e por garçom, e enxerga quais noites justificam a equipe completa até o fechamento.
No financeiro integrado ao PDV, o plano de contas é customizável. Você cria uma conta só para adicional noturno e horas extras, lança os valores da folha todo mês e vê no DRE gerencial quanto essa linha consome do faturamento. Quando ela sobe de um mês para o outro sem que as vendas da noite acompanhem, o problema aparece no fechamento mensal, e não no fim do ano.
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Perguntas frequentes sobre adicional noturno em bares e restaurantes
O adicional noturno é de 20% ou de 25%?
Pela CLT, o adicional noturno do trabalhador urbano é de no mínimo 20% sobre a hora normal. A convenção coletiva pode fixar um percentual maior, e várias CCTs de bares e restaurantes fixam 25%, 27% ou até 40%. Os 25% previstos em lei valem para o trabalhador rural, que não é o caso de bares e restaurantes.
Motoboy de delivery tem direito a adicional noturno?
O motoboy com carteira assinada que faz entregas entre 22h e 5h tem direito ao adicional noturno de no mínimo 20%, com a hora reduzida de 52 minutos e 30 segundos. O entregador autônomo, ou o que atende pelo aplicativo de delivery, não tem vínculo com o restaurante e não recebe adicional do estabelecimento.
Freelancer de fim de semana tem direito a adicional noturno?
O freelancer sem vínculo de emprego não tem direito ao adicional noturno, porque ele é um direito da CLT. Se o freelancer trabalha toda semana, em dias e horários fixos e sob ordens do gerente, a Justiça tende a reconhecer o vínculo, e o adicional passa a ser devido com os valores atrasados. Para quem trabalha só nos dias de movimento, o contrato intermitente garante o adicional e reduz o risco de processo.
O adicional noturno entra no 13º salário e nas férias?
O adicional noturno pago com habitualidade entra no 13º salário e nas férias, pela média do período: some os valores recebidos em cada mês e divida pelo número de meses. Nas férias, a média recebe ainda o acréscimo de um terço. O adicional também incide no FGTS, no INSS e nas verbas da rescisão.
Quem trabalha na escala 12×36 recebe adicional noturno depois das 5h?
Na escala 12×36, as horas trabalhadas depois das 5h não geram adicional noturno desde 11 de novembro de 2017, porque o artigo 59-A da CLT, incluído pela Reforma Trabalhista, as considera compensadas pela escala. As horas entre 22h e 5h continuam com adicional de no mínimo 20% e hora reduzida. A convenção coletiva pode garantir um benefício maior, então vale conferir a da sua região.






